[BLOG ENCERRADO]
sábado, 23 de agosto de 2008
Descanso merecido...
Poisé...
Férias com sabor a férias... era mesmo disto que eu estava a precisar...
Ir ao encontro do mar, fazer as pazes com os meus livros, aproveitar o filhote, e, com toda a certeza, voltar a construir os meus castelos...
Polvilhar os meus sonhos com areia de mil cores, temperar a minha vida com hortelã pimenta, fazer do ócio o fiel companheiro, permitir-me não pensar em nada... esquecer legislações, políticas sociais desastrosas, esquecer obrigações, utentes, IP, até colegas... ou pelo menos algumas...
A música já toca, o carro está atestado... afinem-se as gargantas e...
É só uma semaninha, mas aproveitarei cada dia como se fosse o último...
Aqui, deixo a minha realidade... não vai azedar por isso, estou certa...
... mas volto... vou só ao Algarve um cadinho...
Boas Férias para mim!! E para quem mais estiver...
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Sonho Azul
Jorge Abrantes - Hammerfest - Noruega
Aurora Boreal
Fui encontrar-te perdido no meio do meu sonho azul
Estavas sentado olhando o rio que o atravessa
E as suas águas calmas, serenas, brilham como o Sol
Levam na corrente as palavras em jeito de promessa
Como que surpreso então por me veres olhando para ti
Ergueste a cabeça para mim e sorriste com emoção
As minhas mãos para ti, num abraço eu estendi
Quero que venhas de encontro ao meu coração
Juntos no meu sonho azul, abraçados fitando aquelas águas
Encontrámos o sentido das palavras escritas naquele rio
Não deixemos que a vida passe por nós sem dizer
Lutei, remei, rezei, busquei, tentei ... tudo para não cair no VAZIO ...
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Colorir...
Hoje, a caneta preta habitual não me é de serventia... Parada, inútil por entre os meus dedos...
Olho, estática, a folha de papel, lisa e branca...
Sinto o cheiro do papel virgem onde me quero derramar, ao qual me quero entregar...
E a caneta parece só querer escrever saudade, escrever tristeza, escrever receios e medos, escrever dor...
Nego-lhe essa vontade e ponho a caneta de lado... hoje não vais ser a minha companheira... pegarei em ti novamente quando me transmitires Esperança, confiança, coragem...
Pego nos meus lápis de cor... com eles pinto as palavras mais tristes com as cores mais alegres.
A "lágrimas" pinto de rosa; a "dôr" pinto de vermelho; a "tristeza" pinto de azul; a "incerteza" pinto de laranja... reservo as restantes cores...
Desenho o meu sentir no papel ao som das letras coloridas...
Pinto a minha vida com as cores que tenho no coração...
Quero vestir a palavra "solidão" de verde, cor que tinha de reserva...
Quero transformar o negro do "medo" e o roxo da "ansiedade" no lilás, ou no alfazema e por eles deixar entrar a Luz, a tua...
Quero inventar uma cor nova para a "coragem"...
Tenho cor à minha volta... tenho música... e agora:
Quero beber o doce das tuas palavras e nunca me enjoar, e fazê-las eternas em mim, em nós...
Quero agarrar o teu sorriso na palma da minha mão...
Quero iluminar a minha vida com a tua Luz...
E dizer-te o quanto gosto-te e quanto apeteces-me enquanto... baixo as luzes...
Seguro os teus lábios nos meus... esses lábios...
Dispo-me de inibições... dispo-te...
Trocamos suores, sabores, cheiros ... misturamo-nos...
Ao sabor da nossa música e no compasso das nossas cores...
"Quem sabe isso quer dizer amor..."
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Equilíbrio...
Já te disse que adoro a forma como me devolves ao equilíbrio naquelas alturas em que extravaso o limite do bom senso... Como me apaziguas comigo mesma, como me trazes à razão...
Todos os dias caminho na nossa direcção, todos os dias vou de encontro a nós. Espero-te e como sabe bem esperar-te.
Como é bom quando chegas e me acalmas a alma, como é bom ouvir a tua voz, sentir o teu calor... sentir o teu abraço do tamanho de um Mundo, a energia que ele me traz, o carinho...
Como é bom quando chegas e a tua energia é o que reacende a chama que se estava a apagar...
Como é bom saber que quando não estás, estás na mesma...
Como é bom saber que os meus receios e medos são partilhados por ti...
Como é bom saber que existes...
Como é bom existir...
... mesmo quando a espera me acentua a solidão, mesmo quando o silêncio se torna ensurdecedor, mesmo quando a ansiedade parece que nos sufoca...
... mesmo não te vendo, mesmo não te tendo, mesmo ...
Vivo-te! Invento-te e reinvento-me!
E Gosto-te!!... e estou aqui, SEMPRE!!
A porta está sempre aberta...
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Dou-me-te
sábado, 26 de julho de 2008
Tempo...
Não é por falta de vontade ou tão pouco por falta de tema. Não é por não querer mais estar aqui, ou por estar desencantada com algo. Não é por estar de férias (porque nem estou) nem é por estar a trabalhar. Não é por nada... é só porque ...
Porque desde o acordar ao deitar parece que o tempo voa, porque o tempo que tenho de dedicar à minha presente realidade me absorve por completo. Porque me entrego sempre inteira àquilo que desejo, gosto, quero...
Porque a vida não para e acontece a cada minuto, e cada minuto é tão intenso como o incenso que aromatiza a minha nova existência... hoje, canela...
Porque quando penso que vou ter tempo de vir aqui ao meu cantinho tão cheio de mim, se atropelam as ideias e as conversas e aquilo que quero transmitir ou aquilo que quero esconder, ou aquilo que quero disfarçar nas palavras escritas mas que quero evidenciar no que sente quem lê... e a quem efectivamente se destinam...
Porque tudo tem acontecido tão em simultâneo que às vezes duvido de que eu tenha passado por certas coisas, ou elas apenas passaram por mim, qual furacão...
Porque quero falar de amor, de vida, de esperança, de desejo, de futuro, mas também quero falar de desencanto, de frustração, de trabalho, de vida, de existência, de alegria e de dor... de aceitação, resignação e de coragem...E tudo se baralha e tudo se confunde, como um sorriso sincero entre lágrimas de dor... antagonismos, realidades que só fazem sentido pela existência dos contraditórios...
Porque quero falar de Amizade, porque sinto saudades dos meus Amigos, tantas...
Porque quero falar de Angola, porque quero sentir Angola, cheirar Angola e viver Angola... e nasce um nó na garganta que preciso desfazer...
Porque quero falar das incertezas, da solidão e dos receios que me assaltam e que combato com o meu sorriso e o meu nariz empinado e muito também... com o teu sorriso, com a tua confiança e amizade...
Porque quero falar do meu bem mais precioso e pacanino e como é bom partilhá-lo com quem me gosta...
Quero falar de tanta coisa ...
... mas agora... não tenho tempo...
...voltarei...
terça-feira, 8 de julho de 2008
Aparências...
As coisas mais bonitas podem surgir nas condições mais adversas...
... como estas flores nasceram num lugar aparentemente inóspito, como seja a muralha do Forte de S. Filipe, em Setúbal... Como eu costumo dizer, as aludências aparudem, ou seja ... as aparências iludem :D
Como tal... a Esperança é a última a morrer e...
"...há dias que marcam a alma e a vida da gente..." Mariza in Chuva
Hoje é mais um "primeiro dia do resto da minha vida!!" Sérgio Godinho in o primeiro dia
... P'ra semana há mais :D
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Só porque...
Eu fui devagarinho, com medo de falhar
nao fosse esse o caminho certo para te encontrar
fui descobrindo devagar cada sorriso teu
fui aprendendo a procurar por entre sonhos meus
Eu fui assim chegando, sem entender porquê
já foram tantas vezes, tantas assim como esta vez
mas é mais fundo o teu olhar, mais do que eu sei dizer
é um abrigo para voltar,ou um mar pra me perder
Lá fora, o vento, nem sempre sabe a liberdade
a gente finge mas sabe o que nao é verdade
foge ao vazio, enquanto brinda, dança e salta
eu trago-te comigo e sinto tanto tanto a tua falta
Eu fui entrando pouco a pouco, abri a porta e vi
que havia lume aceso e um lugar pra mim
quase me assusta descobrir que foi este sabor
que a vida inteira procurei entre a paixao e a dor
Lá fora, o vento, nem sempre sabe a liberdade
gente perdida balança entre o sonho e a verdade
foge ao vazio, enquanto brinda, dança e salta
eu trago-te comigo, e sinto tanto tanto a tua falta
Lá fora, o vento, nem sempre sabe a liberdade
gente perdida balança entre o sonho e a verdade
foge ao vazio, enquanto bebe, dança e ri
eu trago-te comigo
e guardo este abraço só pra ti !
Gente Perdida - Mafalda Veiga
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Férias
Pois é!
Férias, assim como as entendo, deveriam ser muito mais do que apenas o não ir trabalhar. Já não digo, com a crise que aí vai, viajar, ir para fora, mas pelo menos ter descanso. Descansar o corpo e a mente...
Vejo-me até, como na foto, esticada numa rede num Monte Alentejano, o Alentejo que tanto gosto... pensar em nada, estar comigo, ler e ler e ler... dormir e passear à vontade, ir ao litoral que amo... chegar bem cedinho ao Carvalhal, praia deserta... que mar... outro dia chegar a Porto Covo... mar, mar e mar... Paz!
But...
Fica para a próxima!!
Resta-me o consolo de que estas férias servirão para organizar, empacotar, arrumar... a minha vida! Uma nova está a começar e tem de começar cheia de energia, cheia de sorrisos, cheia de vontade!!
Siga a marinha!! :D
Ahh!! Já me esquecia... apesar de começarem hoje as férias... Não! Não vou ao Sto. António... :S
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Imaginação?
É tudo fruto da minha imaginação
Todas as palavras que escutei não as falaste
Todos os carinhos que senti não foram por ti dados
Cada tremer do meu corpo ... tu não vibraste
Na minha imaginação vejo-te, sinto-te
Escuto o que me não dizes ... não há segredos
Somos livres e ao amor nos entregamos
Com Paixão, sem culpas e sem medos
Na minha imaginação o Mundo pára!
Fica apenas uma música de fundo ...
E nós, frente a frente tremendo de emoção
Nos entregamos ao amor puro e profundo!
Se tudo acabasse na minha imaginação,
Não haveria o sofrimento das ausências
Não haveria a incerteza do passo a dar
Apenas a Felicidade e o perpetuar de inocências.
[20061108]
sexta-feira, 30 de maio de 2008
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Beijo
Não posso deixar que te leve
O castigo da ausência,
Vou ficar a esperar
E vais ver-me lutar
Para que esse mar não nos vença.
Não posso pensar que esta noite
Adormeço sozinho,
Vou ficar a escrever,
E talvez vá vencer
O teu longo caminho.
Quero que saibas
Que sem ti não há lua,
Nem as árvores crescem,
Ou as mãos amanhecem
Entre as sombras da rua.
Leva os meus braços,
Esconde-te em mim,
Que a dor do silêncio
Contigo eu venço
Num beijo assim.
Não posso deixar de sentir-te
Na memória das mãos,
Vou ficar a despir-te,
E talvez ouça rir-te
Nas paredes, no chão.
Não posso mentir que as lágrimas
São saudades do beijo,
Vou ficar mais despido
Que um corpo vencido,
Perdido em desejo.
Quero que saibas
Que sem ti não há lua,
Nem as árvores crescem,
Ou as mãos amanhecem
Entre as sombras da rua.
Pedro Abrunhosa
Impressionante!! E mais não digo...
sexta-feira, 18 de abril de 2008
O Vento...
Hoje dormi acompanhada...
Acompanhada pelo vento forte que insistentemente me batia na janela empurrando com ele a chuva... Aqui e ali ouviam-se barulhos de coisas a arrastar no silêncio da vida, na calma do burburinho Humano, que parou para ouvir a Natureza numa das suas mais violentas expressões...
A Natureza está zangada...
Ainda assim me embalou, e consegui adormecer com um último pensamento para o meu carro, estacionado ao lado de um sinal de trânsito, e a pergunta a pairar de se de manhãzinha ainda lá estariam os dois tal e qual os deixara na noite anterior... à hora em que escrevo ainda não sei...
Enquanto a chuva entoava cânticos pela batuta do vento, a minha mente foi tomada pelas asas do sonho e sonhei um sonho azul...
... azul de paz...
No meu Sonho, o vento arrastava com ele todo o lixo humano e a chuva lavava as almas daqueles que sofrem...
No meu Sonho, o meu país natal, Angola, libertava-se do que realmente o estrangula ... a ganância...
No meu Sonho, o país onde vivo, Portugal, aprendia a cuidar de si e dos seus...
No meu Sonho... eu existia e não era dor...
No meu Sonho, o que me baralha e confunde, esclarecia-se e fazia-me sorrir...
Tudo isto revolveu a minha mente como uma corrente de ar, durante o sono... acordei com dor de cabeça e a sensação de não querer acordar para poder continuar a sonhar...
domingo, 2 de março de 2008
Planos
Aos 16 anos achamos que temos tudo planeado, e mais, que tudo vai correr exactamente como o planeado...
Vamos estudar e acabar o curso universitário, para depois logo entrarmos no mercado de trabalho, claro, dentro da área para a qual estudamos ...
Vamos casar aos 24 anos, ter dois filhos, um menino e uma menina... primeiro, de preferência, o menino e depois a menina, a princesa...
Vamos ser e viver felizes para sempre ...
Afinal...
Aos 25 lá nos casamos depois de ter deixado para trás, e no último ano, o curso universitário, na urgência de preparar um futuro ilusóriamente pensado. Entramos no mercado de trabalho pela primeira oportunidade que nos surge, na urgência de conseguir o objectivo mais premente que é o de casar e obter a almejada independência...
Primeiros anos para gozar o estado de graça do recém-casados...
Aos 29 e depois de alguns precalços na tentativa de ter um filho, lá nasce o pacanino tão desejado...
Aos 31/32 desmoronam-se os castelos que afinal não eram de pedra, como se pensava, mas sim de areia...
A menina não chega a vir... talvez sorte a dela...
Porém...
Continuamos a acreditar no amor, ele existe!
Continuamos a fazer planos, desta feita:
Não sei quando .... mas vou conhecer a terra que me viu nascer e que por culpa dos Homens não me viu crescer! Quem sabe por lá ficar...
Não sei quando... mas pretendo terminar o meu curso!
Não sei quando... mas vou trabalhar em algo que me dê prazer, que me faça crescer todos os dias, que me faça pensar... onde me sinta realizada...
Não sei quando... mas vou tornar os meus sonhos realidade, mesmo que com ajuda de alguém ... alguém muito especial...
Não sei quando...
... mas pretendo ser e fazer alguém feliz!
A menina? Começa a ser tarde... mas já sonhei com ela...
Desabafos num final de Domingo...
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Era assim...
Tinham-se encontrado há minutos atrás naquele sítio maravilhoso, rodeado do que mais belo a natureza nos pode oferecer. Ele tinha-lhe prometido que a levaria a conhecer sítios lindos, e este era um desses locais... a promessa cumprida!
Ela mal conseguiu conter as lágrimas ao sentir-se tão maravilhada e aborvida por tudo o que lhe estava a acontecer, por tudo o que a rodeava...
O local, a companhia... a natureza, o mar ao fundo, o céu, as estrelas por testemunhas...
Era assim que se encontravam no momento, extasiados, envolvidos no perfume um do outro e ao mesmo tempo em completa sintonia com o ambiente que os rodeava, quase sem conseguirem proferir palavra... sentiam, sentiam, sentiam... tudo se lhes entranhava na pele e na alma, desde o marulhar das ondas lá longe, à ligeira brisa que lhes tocava os corpos e trazia o aroma silvestre do local misturado com um toque de sal e a humidade própria do clima...
Sentaram-se abraçados, as costas dela no peito dele, o respirar dele junto ao ouvido dela... podiam ouvir-se os batimentos do coração... podia sentir-se o tremer da emoção... a ansiedade daqueles lábios, o desejo daquelas mãos e a entrega daqueles corpos àquela natureza e um ao outro, foi o que mais perto se conheceu em termos de perfeição, de sintonia... como se tudo fosse parte da mesma matéria, da mesma essência, um era o prolongamento do outro e não se conheciam os limites, não havia barreiras, reservas...era assim, só porque sim...
Naquela noite, as estrelas testemunharam os olhares lânguidos de amor dos dois, sem promessas, apenas aceitação, enquanto se misturavam numa alquimia perfeita de união, e nesse momento o Universo se curvou perante tamanha manifestação de Felicidade, pura, genuína... uma entrega de amor sem exigir mais nada em troca... apenas que no céu as estrelas continuem a brilhar, que lá longe o mar não deixe nunca de se espraiar na areia, que a brisa possa sempre soprar porque...
... também, para sempre, quem amar assim, vai amar...
Quem ama, ama simplesmente e é feliz só por o outro existir, só por o outro ser feliz...
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Só porque...
"Onde estiveres, eu estou
Onde tu fores, eu vou
Se tu quiseres assim
Meu corpo é o teu mundo
E um beijo um segundo
És parte de mim
Para onde olhares, eu corro
Se me faltares, eu morro
Quando vieres, distante
Soltam-se amarras
E tocam guitarras
Por ti, como dantes
Agarra-me esta noite
Sente o tempo que eu perdi (mmmmm)
Agarra-me esta noite
Que amanhã não estou aqui"
Pedro Abrunhosa - Agarra-me esta noite
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Tu vs James Dean
Naquele dia, vi-te ao longe, caminhando sob a chuva num passo apressado, gabardine (ou algo que o valha)... vinhas em direcção a mim...
Naquele momento, mágico para mim, associei a tua imagem a algo ou alguém mas não consegui no imediato definir. Hoje, como tudo entre nós, por magia, e enquanto revia e revivia aquele momento mentalmente, fez-se luz. Não é que sejas parecido, mas talvez aquele ar de "rebel without a cause" assim à distância, com a chuva ... James Dean, foi a ele que te associei quando te vi, lindo... e, ainda por cima, caminhando até mim... [ confesso que na minha adolescência adorava o James Dean]
Chegaste irritado, lindo, zangado com o Mundo, lindo, ouvi-te enquanto desabafavas... a minha vontade era, na verdade, de te abraçar ali mesmo, sob a chuva, calar-te com um beijo, e dizer-te que agora tudo tinha passado, que já estavas pertinho de mim, que já estava tudo bem... como se de facto tudo o que importasse fosse o nosso encontro... para mim era, e eu até já tinha esquecido todo o resto do meu dia. Na verdade, o meu dia só começou a partir do momento que chegaste perto de mim... esqueci toda a angústia dos minutos contados até àquele momento...
Senti-me, a dada altura, impotente para te acalmar, pediste-me tempo... claro, todo teu... Quiz olhar-te, abraçar-te e beijar-te como se não houvesse amanhã... como se viria a provar que não existiria... Mas mais uma vez não consegui parar o relógio, o tempo, que agora parecia comer os minutos em cada segundo, ao contrário das horas anteriores em que cada minuto levou horas a passar...
À distância a que me encontro, sorrio feliz ... pela nossa partilha... o que vivemos ninguém nos tira, bebi cada segundo da tua presença, cada palavra, cada respirar...
Perdoa-me a incapacidade para parar o tempo, prometo que se o tempo nos der o tempo a que temos direito... te compensarei, se ainda quiseres...
Por hoje... Obrigada, Gosto-te e até já... saudades muitas
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Devaneios
Hoje, vi-me menina buscando um pedaço de Céu
Vivi lembranças nas palavras escritas com calma
Ternuras que o tempo esconde no seu véu
Emoções que à distância me alimentam a alma
Em ti me refiz mulher, me encontrei
Vislumbrei o caminho para ser Feliz
O que me dás não tem preço, só eu sei
És tudo quanto eu sempre sonhei e quiz
Sei que não posso ser a Luz que tanto procuras
Se te ofusco com o que tenho de melhor em mim
A genuinidade do meu amor incondicional... o desejo
Quero-te, mas ...a tua Liberdade jamais terá fim
A tua dôr... é a minha dôr...
Ter-te é o meu desejo mais profundo
Mas acima de tudo e de qualquer coisa
Quero-te todo o Bem que há no Mundo!
************************************************
“Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa
Despe meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é”
Alberto Caeiro in O Guardador de Rebanhos - VIII
domingo, 20 de janeiro de 2008
Dimensões
A Vida prova-nos a cada dia que não vale a pena termos algo por adquirido. O que hoje é uma certeza, amanhã poderá não sê-lo, ou então, poderá continuar a ser uma certeza, mas no significado inverso. Como assim? Tipo: hoje tenho a certeza que Amo, e amanhã chego à conclusão que tenho a certeza que não Amo.
Parece inconstante, parece contraditório, mas não é. É apenas a conclusão de que muitas vezes nos deixamos cegar pelo comodismo. O hábito de achar que amamos e até de dizê-lo, só por si, não torna verdadeiro o sentimento, torná-lo-à, quanto muito, socialmente correcto.
Não é isso que quero mais para mim, aliás, já não o queria há muito. É duro, claro que sim, concluir que afinal não se ama, quando até se pensava que sim. Procurar em cada lembrança o momento em que algo mudou, o que de facto mudou? Esta geração já não se limita a acomodar-se ao facilitismo que é manter uma relação pela estabilidade, pelo socialmente ou moralmente (para alguns) correcto e muito menos pelos filhos. Sim, também é facto que talvez esta geração não tenha aprendido a fazer a gestão de tantas dimensões que nos envolvem. Não procuro sequer encontrar os motivos, fazer comparações com outras gerações. Apenas verifico que é assim.
[Mas, atenção, chegar à conclusão que não se ama, não retira importância alguma ao amor que se sentiu! Se há algo que me baralha é ouvir alguém dizer, quando encontra um novo amor, que afinal não tinha amado o anterior. Se aparentemente pode parecer um mimo a quem está a ouvir, na minha opinião é uma hipocrisia. Nenhum amor morre definitivamente em nós, fica guardado naquele baú, transforma-se é certo, mas não morre, vira apenas lembrança boa, carinho, amizade]
A dimensão trabalho, ocupa-nos a grande parte do dia, absorve a maior parte das nossas energias, é exigente e pouco gratificante (por mim falo).
A dimensão filhos: a melhor de todas, sem dúvida, mas talvez também a mais prejudicada por todas as outras. Depois de juntos um pouquinho pela manhã, o reencontro dá-se ao fim da tarde, quando, na maioria das vezes, o cansaço provocado pelas outras dimensões, retira qualidade ao tempo que sobra até à hora de dormir, porque entretanto...
...A dimensão casa, obriga a que se faça jantar, depois do banho, entre outras obrigações e se esgote o tempo sem que possamos partilhar-nos.
Ao fim de semana mais do mesmo. O tempo está bom para passear? Pois, mas há casa para arrumar e limpar, roupa para tratar, lavar estender e passar, and so on, and so on ...A dimensão social ficou para enésimo plano e resume-se práticamente a casamentos, aniversários e um ou outro cafézinho no fim de semana...
Onde ficou a dimensão casal? Não sei... esquecemo-nos? Ou nem tivemos tempo sequer? Acho que só restou tempo de dizer: até amanhã, ou neste caso: até sempre... até qualquer dia... vamos tentar de outra forma ser Felizes.
Hoje tenho a noção, à custa de algum sofrimento, que esta minha forma de ser não traz nada de bom, mas também não é algo que possa mudar, quando muito fazer algum ajuste aqui ou ali. O mundo, a vida, está exactamente para aqueles que se acomodam ao que falei. Esses constróiem uma vida, mais ou menos estável, têm os seus filhos, a sua rotina... Não amam, ou pensam que amam, mas são alegadamente Felizes. Espero que nunca tomem a consciência que tomei!
Mas as lágrimas lavam-me a alma e, graças a Deus, tenho feito bom uso delas...
Quero Amar na magnitude da palavra, e aprender a fazê-lo com todas as dimensões das quais não me posso abstrair. Não deixar de namorar nunca, deixar de namorar é o passo nº 1 para a acomodação... para o fim...
Às vezes pergunto-me: Porquê? Porque tudo tem de ser sempre tão dificíl? Mas depois, ergo novamente a cabeça, não quero sentir pena de mim, e digo: Quanto mais dificíl, melhor será o sabor no final ...
Sonhar ainda é possível... sonho sempre que o amor é livre como um passarinho e que, se tiver de ser, ele cá chegará...
"... a esperança é um Dom, que eu tenho em mim, eu tenho sim ..." Caetano Veloso, Sonhos
Esclarecimento: apesar de alguma amargura neste post quero dizer que acredito no Amor, sempre! E quero dizer que sei que existem casos de amor que duram uma vida, que os admiro muito, que os invejo positivamente. [2008/01/21]














