quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Medo!



Olho para trás e vejo-me.

Tinhamos chegado de Angola, ou melhor, do Brasil, para onde fomos quando saímos de Angola e onde permanecemos alguns meses (tirando o meu pai que foi para a RSA).





Cá em Portugal, há falta de ter onde ficar, acabámos por ficar numa casa enorme, uma vivenda, com piscina e tudo (vazia, só mesmo uma tartaruga lá vivia) onde uns primos dos meus avós eram caseiros e os donos emigrados, (sim, com conhecimento e autorização dos mesmos!) por especial favor.



Havia animais, desde galinhas a coelhos e a porcos, havia jardins enormes, lembro-me de toda aquela imensidão aos olhos de pacanina... lembro-me de corredores feitos de Hortênsias lilases e rosa, lembro-me das enormes varandas, lembro-me da escadaria, dos salões, da resmunguisse do padrinho da minha mãe, do meu primeiro Natal, da queda do meu primeiro dente, da ida do meu irmão para a primária.

Bem analisado ainda terei lá morado cerca de 4 anos.


Das coisas que mais marcam a minha memória desses tempos de pacanina e destemida:

  • Ao lado da minha avó, deitadas nos colchões no chão, a rezar : "Anjo da guarda minha companhia, guardai minha alma de noite e de dia"


  • Subir e descer aquelas escadas enormes para ir buscar ao quarto os óculos da minha mãe. Às escuras e de gatas... sem medos.


  • Ver fazer chouriços, fazer queijo, migar as couves para a criação e o pior de sempre: assistir à matança do porco :(


  • Cair durante uma festa em cima duma grade de cervejas e cortar bem perto do pulso. O meu pai a colocar-me na ferida, não recordo se a cinza ,se mesmo o tabaco antes de queimado. E depois ser cozida e assistir a tudo impávida e serena, sem uma lágrima.


  • O feitio do padrinho da minha mãe era algo ... diferente... o fogareiro estava aceso no meio da sala e as castanhas e batatas doces assavam, passei a correr para que ele não reclamasse e caí de barriga em cima do fogareiro...


  • A crueldade ingénua de ter partido os ovos que estavam a ser chocados e ter visto os pintaínhos ainda em "formação". A defesa do meu irmão perante a prima Carlota.


  • A cobra que o meu pai matou à entrada da casa.

  • Descer as escadas no 25 de Dezembro e encontrar, não obstante tantas dificuldades, os tão ansiados presentes que, curioso, não consigo lembrar. Apenas recordo os do meu irmão.

Fui feliz naquele tempo, era pacanina, ingénua e pura. Não tinha noção de todas as dificuldades porque passavam os meus pais, nem que a casa não era nossa, nem que não poderiamos ficar mais... mas não tinha medo...





E hoje tenho medo! Tenho 32 anos, sinto-me desprotegida por não ter a ingenuinidade da criança, embora a criança ainda viva em mim!

[No local onde existiu outrora esta bela casa, nasceu posteriormente uma grande urbanização. Esta casa situava-se em rio de Mouro, Mem Martins.]


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quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Reflexos


Os dias sucedem-se uns atrás dos outros inexoravelmente.

Os reflexos de mim são nítidos e claros quando estou só, mas distorcidos quando não. Oiço-me perguntar para dentro quem é aquela ali naquele reflexo e que sorri? Sou mesmo eu? Mas como sou eu se me sinto a desintegrar, se me sinto sucumbir à consequência e ao peso das decisões tomadas e acertadas!? Sem sorrisos... por dentro!

Oiço-me, e refugio-me nos momentos que me dão algum prazer. Recebo os carinhos que, de uma forma ou de outra, me são destinados. Dou-me mas recebo, sem grilhetas... naturalmente...
Oiço as palavras amigas e carinhosas e nesses momentos de ternura volto a ser eu, encontro-me!

Mesmo que inconsequentemente, agora abstenho-me de pensar, limito-me a receber e a dar, a retirar algum prazer e a proporcionar outro tanto... a conversar, a viver...
O dia de amanhã pode ser diferente, mas este já está vivido!

As dificuldades que se adivinham, as dores de cabeça, as preocupações servirão apenas para me mostrar que estou viva, que acerto, que erro, que sou amarga mas também doce, que amo, que não amo, enfim... que sou Humana e que nada há de mal nisso!

Vou aproveitar ao máximo o que me dá prazer para poder suportar o que me mata!

Obrigada a todos quanto, mesmo que não saibam, me dão alento, e que me fazem encarar com optimismo o futuro!

Eu SEI que vou conseguir! Já comecei...

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quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Vida e Amor


As lembranças que aqui conto
são de um tempo em que eu pensava
que o amor que eu sentia
para toda a vida durava...
Pois agora tenho a certeza!
Não são assim todos os amores!!??
Duram enquanto há vida
e enquanto há vida há amores
Cada amor tem uma vida
E toda a vida é o amor...
E o amor é tudo o que fazemos
Com dedicação e entrega
A vida que tanto amamos
em constante descoberta
e quando um dia a vida
Nos pregar uma partida
poderei seguir feliz...
pois fui tua toda a vida...

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segunda-feira, 17 de setembro de 2007

As crianças não deviam sofrer



Ter a vida algo virada do avesso, ser acometida de medos e de pensamentos perturbadores, um trabalho intenso e absorvente, angústias e incertezas... não é fácil. Este é o meu momento!

Mas receber a noticia de que uma criança de 7 anos, familiar, é hospitalizada de urgência com um tumor na cabeça, depois de queixas de dores de cabeça... faz com que qualquer problema pareça tão pequenino... que as minhas angústias perto das que passam aqueles pais são agora tão insignificantes...

Como mãe sinto uma dor e uma revolta grande por pensar: Meu DEUS... as crianças não deveriam sofrer!

O meu sorriso apaga-se e uma lágrima por ti caí, querido João, sê forte... tu vais conseguir! O teu mano precisa de ti, os teus pais e avós ...

Sem mais palavras...

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sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Porque hoje me sinto nostálgica...




Hunting High And Low Lyrics

Who am I?


For those who may think that I am a fool
And those who think that I am not
I take a deep breath and say with all my heart
not even I know what I am or what I’ve got.

And when the day of the truth comes
I can assure with my raised head
That I've lived my life to the limit
I've lived my life as I really am ...

I don't pretend to be understood
I'm not saying that you must like me
I am what I am whatever that is
and for those to whom I am not, I’ll be ...

I will keep being me, whatever that may be!

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