sexta-feira, 7 de março de 2008

Rosa de Porcelana


“… Poisa as mãos nos meus olhos com carinho
Fecha-os num beijo dolorido e vago…
E deixa-me chorar devagarinho…”

Florbela Espanca

Fotografia de Sérgio Monteiro

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quinta-feira, 6 de março de 2008

Tocando em frente


Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais..
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz quem sabe?
Eu só levo a certeza do que muito pouco eu sei..

E nada sei..

Conhecer as manhas e as manhãs...
O sabor das massas e das maçãs...
É preciso amor para poder pulsar..
É preciso paz para poder sorrir..
É preciso chuva para florir..

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente..
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada
Eu sou...
e pela estrada eu vou...

Conhecer as manhas e as manhãs...
O sabor das massas e das maçãs...
É preciso amor para poder pulsar..
É preciso paz para poder sorrir..
É preciso chuva para florir..

Todo o mundo ama um dia..
todo o mundo chora..
Um dia a gente chega..
o outro vai embora..
Cada um de nós compôe a sua história..
e cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz....

Conhecer as manhas e as manhãs...
O sabor das massas e das maçãs...
É preciso amor para poder pulsar..
É preciso paz pra poder sorrir..
É preciso chuva para florir..

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais..
Cada um de nós compôe a sua história..
e cada ser em si carrega o dom de ser capaz...

...de ser feliz..

Maria Bethânia

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quarta-feira, 5 de março de 2008

Ao teu sorriso...

Sem foto, porque qualquer foto ficaria muito aquém da beleza do teu sorriso - nada se lhe compara!
O SORRISO

"Creio que foi o sorriso,
Sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
Lá dentro, apetecia
Entrar nele, tirar a roupa, ficar
Nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso."

Eugénio de Andrade



As Linhas Do Teu Sorriso

Percorro de memória
as linhas do teu sorriso
de um traço sonhador
e um leve travo a saudade.
São como um convite
esses lábios que enfeitiçam
murmuram desejos
insinuam promessas
e incendeiam a vontade!
Percorro de memória
esses caminhos que foram meus
e que sei de cor ainda.
E por momentos fico assim,
perdida na lembrança
do delinear de um beijo...

Maria José Carvalho
Quando as palavras dos outros se encaixam no nosso sentir...
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terça-feira, 4 de março de 2008

João


Não sei porque me lembrei agora do João...

O João era um amigo, vizinho e às vezes "namorado" dos tempos que eu morava na Amadora... o 2º portanto... namorado.
Eramos essencialmente muito cúmplices, os melhores amigos como gostávamos de dizer quando as coisas do amor não se nos baralhavam... Na verdade ele era apaixonado, irremediávelmente, pela minha melhor amiga, a Lete... que não lhe passava cartão... até um dia...
Eu acho que me fazia bem acreditar ser apaixonada por ele, ele protegia-me, era só 4 aninhos mais velho, o que naquela altura era significativo pois era a diferença entre ter 14 e 18 anos...
Pensando hoje ainda não se percebe, acho também que ele gostava de me ter como apaixonada, possívelmente isso alimentava-lhe o ego, não me escondia o seu amor pela Lete, pedia-me ajuda, eu percebia, fazia o que podia, ouvia... ouvia... ouvia...
Até que ele um dia se cansou da Lete, ou dos foras dela, e começámos a namorar... eu não tinha ilusões... Porque, vá-se lá entender as mulheres, o que é facto é que isto despertou na Lete o interesse pelo João. Ou seja, da mesma forma que o João adorava ser adorado por mim, a Lete adorava ser adorada pelo João e quando as coisas mudaram sentiram-se perdidos. Sim, porque também fiz o meu papel de desinteressada...
Bom, conclusão... no dia de eu sair definitivamente da Amadora deixei a mão do João na mão da Lete, na firme convicção de que eles acabariam por ficar juntos e para isso eu ia torcer... ao longe! As últimas palavras que lhe ouvi foram: "Adoro o teu sorriso!" - 1989...

Mudei para Setúbal... durante algum tempo o João ainda me telefonou para desabafar, para chorar, às vezes sóbrio, outras nem tanto... quantas vezes isto tinha acontecido em presença, quanto colo lhe dei com o coração nas mãos ouvindo-o lamentar o seu amor pela Lete, a mim, logo a mim que gostava dele...
Da Lete não mais soube...

Passaram-se anos e em 2003 recebo um telefonema no trabalho, uma voz de Homem, que me pediu se podia sair durante 10 minutos e ir até ao café. Perguntei quem era: "O João- da Amadora" - explicar o que senti não é possível - é como se de repente voltassemos atrás num tempo. O encontro foi qualquer coisa de espectacular, ao mesmo tempo parecia que ainda ontem nos tínhamos visto, eu agora com 29 e ele com 33, eu grávida e ele já com um filhote de 2 aninhos.
Curioso o que ele tinha para me dizer passados todos estes 13 anos desde aquela despedida à janela...
"Desculpa Natacha!" Fiquei baralhada... confesso. "Desculpa por tudo", foi o que ele voltou a dizer. Sorri-lhe. Será que ele não compreendia que não havia o que desculpar? Será que é assim tão difícil compreender que quando aceitamos determinadas regras de jogo e entramos nele estamos a assumir a despesa? "Não tenho nada para te desculpar, vivemos tempos tão bonitos de cumplicidade, disse-lhe eu. Eu gosto de recordar esses tempos e sou feliz quando os recordo, nada recordo com mágoa." "Tu eras uma menina" ... a minha resposta foi simplesmente, "e tu eras um menino apesar dos teus 18 anos, nada mais que um menino" Rimo-nos, falámos das nossas novas vidas e acabou o tempo, eu tinha de voltar...

Voltámos a falar uma ou duas vezes até que o João "desapareceu" do mapa again. Não faz mal, aguardo mais 13 anos se for preciso, as amizades como os amores, ou os dois em conjunto, vivem pacificamente em mim...

Não consigo deixar se ser eu, assim ... por muito que às vezes me custe...

Ah... vim a saber que o João e a Lete ainda namoraram durante bastante tempo, tiveram até os convites para o casamento escolhidos, but... não chegou a acontecer...

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segunda-feira, 3 de março de 2008

Um sentir de mulher...


Recolho-me feita prece
neste silêncio da noite
Que tenho por companhia ...
... e o Sol é outra Luz
e o frio gera o calor
abrem-se os olhos da vida
feita passagem escondida
noutra dimensão de amor ...

Assim, modelo a essência
daquilo que vou sendo
numa luta dia a dia
entre as vontades sentidas
e opções escolhidas
para me sentir pessoa ...

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domingo, 2 de março de 2008

Planos


Aos 16 anos achamos que temos tudo planeado, e mais, que tudo vai correr exactamente como o planeado...
Vamos estudar e acabar o curso universitário, para depois logo entrarmos no mercado de trabalho, claro, dentro da área para a qual estudamos ...
Vamos casar aos 24 anos, ter dois filhos, um menino e uma menina... primeiro, de preferência, o menino e depois a menina, a princesa...
Vamos ser e viver felizes para sempre ...

Afinal...

Aos 25 lá nos casamos depois de ter deixado para trás, e no último ano, o curso universitário, na urgência de preparar um futuro ilusóriamente pensado. Entramos no mercado de trabalho pela primeira oportunidade que nos surge, na urgência de conseguir o objectivo mais premente que é o de casar e obter a almejada independência...
Primeiros anos para gozar o estado de graça do recém-casados...
Aos 29 e depois de alguns precalços na tentativa de ter um filho, lá nasce o pacanino tão desejado...
Aos 31/32 desmoronam-se os castelos que afinal não eram de pedra, como se pensava, mas sim de areia...
A menina não chega a vir... talvez sorte a dela...

Porém...

Continuamos a acreditar no amor, ele existe!

Continuamos a fazer planos, desta feita:

Não sei quando .... mas vou conhecer a terra que me viu nascer e que por culpa dos Homens não me viu crescer! Quem sabe por lá ficar...
Não sei quando... mas pretendo terminar o meu curso!
Não sei quando... mas vou trabalhar em algo que me dê prazer, que me faça crescer todos os dias, que me faça pensar... onde me sinta realizada...
Não sei quando... mas vou tornar os meus sonhos realidade, mesmo que com ajuda de alguém ... alguém muito especial...
Não sei quando...

... mas pretendo ser e fazer alguém feliz!

A menina? Começa a ser tarde... mas já sonhei com ela...

Desabafos num final de Domingo...

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